Fazendo Eco

cronicasdeumasociedadeliquidaEm algum momento, Umberto Eco falou que a Internet dera voz aos imbecis. De certa maneira, tinha razão. Sem desdenhar o direito à livre expressão dos imbecis, ele lamentava a ressonância das bobagens que são ditas sem qualquer reflexão em conversas no botequim da esquina e reproduzidas pelas redes sociais como fruto de reflexão filosófica. O velho observador do mundo cultivava uma percepção acurada sobre a vida, demonstrada na coluna La Bustina di Minerva, publicada na revista L’Espresso desde 1985. Ali, ele comentava o cotidiano na Itália e no mundo. Pape Satan Aleppe – Crônicas de uma sociedade líquida (Record, R$ 59,90) reúne alguns desses textos, que tratam de comunicação, a dependência dos telefones celulares, racismo, ódio, religião, filosofia, envelhecer, juventude e, naturalmente, literatura.

A epidemia da sick lit

A questão que nunca morre: entretenimento é literatura? Para onde vai a cultura, a tradição, a estética se o mundo quer consumir produtos que não estimulam o raciocínio, mas apenas distraem. Enquanto eruditos debatem o fim da civilização, escritores “comerciais” ganham a vida honestamente, lançando sucessos e mais sucessos que encantam, momentaneamente, o público. O leitor comum, aquele que movimenta o mercado editorial, nem sempre está à procura de uma leitura reflexiva e de qualidade. 

O que as empresas esperam dos profissionais

Um dos principais questionamentos de profissionais que estão em busca de uma oportunidade de trabalho é: o que as empresas querem ou esperam dos profissionais? Qual o perfil desejado pelo mercado? E após encerrar o processo seletivo ou se candidatar a uma oportunidade, os profissionais continuam sem resposta para essa pergunta.

A renovação dos clássicos

“Já desfiz quatro bibliotecas”, me conta uma amiga, que não tinha como carregar um número grande de livros para casas cada vez mais exíguas. Vendeu a sebos, o que nem sempre é um grande negócio, como descobriu outro amigo, um escritor, que recebeu uma quantia modesta por sua biblioteca, desfeita também por causa de mudanças. Tempos depois, soube que alguns daqueles volumes, autografados por colegas de ofício famosos, seriam leiloados, cada um com lance inicial superior ao que recebera pelo lote todo.

O livro encontra seu público

A Bienal do Livro no Rio de Janeiro deve atrair 700 mil visitantes durante dez dias ao Riocentro para encontros do público com autores de apelo popular, em sua maioria. Se as festas literárias promovidas por todo o país discutem dos grandes temas literários do momento a formas de disseminação da leitura, a Bienal cada vez mais investe na aproximação do leitor jovem com seus ídolos. Dos mais de 300 autores convidados, a metade é de escritores de literatura infanto-juvenil.

"Os cavalinhos correndo, e nós cavalões comendo"

O poema “Rondó dos Cavalinhos” publicado em 1936 por Manuel Bandeira retratava um período da história de profundas modificações sociais, onde movimentos surgidos na Europa punham em risco a estabilidade da Europa e do mundo e que ele cita nessa obra. Assim como corremos esse risco hoje no Brasil.

Leituras para fechar o inverno

No encerramento deste inverno atipicamente rigoroso, pelo menos em termos cariocas, as notícias no setor são reconfortantes. As editoras festejam o discreto aquecimento das vendas em plena recessão, uma pesquisa aponta que 61% das crianças alemãs de seis a treze anos leem mais do que jogam videogames – o que não significa que elas venham a preferir a palavra impressa em papel à diversão nas telas, no futuro, mas dá alento à indústria quanto à sobrevivência do livro em qualquer formato. Então, que tal comemorar as boas novas e arranjar um bom lugar para ler um destes livros?

A solidão e outras formas de fazer arte

acamaraclaraA inglesa Olivia Laing pertence a um grupo de escritores/pensadores da atualidade que escolhem um tema a partir de sua experiência pessoal, pincelando com situações vividas as observações que embasam suas teses. A apropriação do objeto de estudo atrai muitos autores que preferem deixar de lado o distanciamento científico/jornalístico para mostrarem ao leitor o quanto se inserem na pesquisa, sem fazer de sua vivência o roteiro da descoberta, como Roland Barthes em A câmara clara (Nova Fronteira, R$ 24,90 ), no qual a análise de fotografias de sua própria família se mistura à análise da narrativa existente em retratos de desconhecidos.

A leitura cinematográficas da ternura

marypoppinsMary Poppins, a simpática babá interpretada no cinema por Julie Andrews, nasceu rabugenta, arrogante e consciente de seus direitos trabalhistas. Em 1934, a australiana P.L. Travers lançava mais que um clássico de literatura infantil. Esta sátira à classe média britânica e sua interação com um novo tipo de empregado doméstico, que estabelece uma distância clara dos patrões, mostra-se bastante contemporânea, como se constata na nova edição ilustrada e comentada de Mary Poppins (Zahar, R$ 54,90).

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