Ibovespa volta a emplacar um bom resultado

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Ibovespa volta a emplacar um bom resultado (Foto: Pexels) Ibovespa volta a emplacar um bom resultado

Depois da correção da semana anterior, o Ibovespa voltou a emplacar um bom resultado na semana passada e os 100 mil pontos estão logo ali. De acordo com analistas da Toro Investimentos, a expectativa (confirmada) de novo corte nas taxas de juros animaram os investidores, à medida que a renda fixa passa a valer menos e menos. Animou também os compradores de dólar, já que o País também fica menos atrativo ao capital externo que era investido nesse tipo de títulos.

No exterior, a semana também foi positiva, mesmo com sinais de retomada da pandemia em alguns locais da China e dos Estados Unidos. Mais uma vez, foi a bazuca monetária do FED que trouxe ânimo, com o anúncio de que o Banco Central americano deve mesmo comprar papéis de dívida privada para impulsionar a economia.

Por aqui, o mundo dos negócios perde Nevaldo Rocha, responsável pela criação e consolidação do Grupo Guararapes, das Lojas Riachuelo. As aéreas se seguram como podem, ainda sem grandes perspectivas de retomada ampla dos voos, enquanto Cielo vê luz no fim do túnel.

Economia

Como já era de se esperar, o Banco Central decidiu novamente cortar a taxa básica de juros, desta vez para 2,25% a.a. Mais importante até: deixou a porta aberta para um novo corte na reunião seguinte do Comitê de Política Monetária (COPOM).

A decisão vem na esteira dos números ruins da economia brasileira e da inflação próxima de 0% no acumulado de 2020. De um lado, essa conjuntura abre espaço para que a Taxa Selic caia mais, uma vez que a grande missão do BC é buscar a meta de 4% de inflação para esse ano. Ou, ao menos, o piso da meta, que é de 2,5%.

De outro, os cortes buscam também baratear e ampliar o crédito, gerando mais dinamismo à economia e tentando alavancar o País para fora da crise. Não será fácil. Pelo mundo todo, bancos centrais seguem a mesma estratégia, apostando que o dinheiro farto possa reaquecer o consumo e os investimentos. Contudo, não está claro o quão dispostas as pessoas estarão para sair de casa e gastar enquanto a pandemia for uma ameaça em potencial.

Por isso, uma questão se coloca: se não surtir o efeito desejado, o Banco Central vai continuar reduzindo a Selic indefinidamente ou há um limite do qual ele não passará? Será que é possível que vejamos juros 0% no Brasil ou algo muito próximo disso? Hoje, se fosse pra apostar, ainda parece pouco provável. Mas quem apostaria que chegaríamos a quase 2% a.a. se perguntado há poucos meses atrás?

Empresas

Uma notícia triste abalou o mercado brasileiro nesta semana: Nevaldo Rocha, fundador do Grupo Guararapes (GUAR3), faleceu aos 91 anos. Nevaldo construiu uma história de sucesso que começou com uma pequena loja no Nordeste e hoje deixa como legado o Grupo Guararapes, uma das maiores redes varejistas no Brasil.

Riachuelo, Midway Financeira, Midway Mall e Transportadora Casa Verde fazem parte do império construído por Nevaldo, que, no controle do Grupo, resistia a algumas pressões do mercado. Agora aumentam as teorias e expectativas sobre o futuro da Guararapes.

São muitas as especulações sobre como a Guararapes, legado de Nevaldo, será tocada daqui pra frente. Desde venda de imóveis a mudanças de governança corporativa, várias são as teorias do que vem no futuro da rede que tem mais de 300 lojas espalhadas pelo País.

Um dos setores mais “movimentados” dos últimos meses e um dos mais mencionados aqui na nossa newsletter semanal merece mais uma vez nossa atenção. As aéreas, que estão na lista das companhias diretamente afetadas pelo COVID-19, tiveram uma semana agitada.

Paulo Kakinoff, presidente da Gol (GOLL4), disse que não está nos planos da Empresa realizar um pedido de recuperação judicial. O presidente afirma que, apesar se não ser possível prever o futuro, com as informações disponíveis hoje, não acredita em um cenário que necessite um pedido recuperação judicial. Kakinoff destacou que a Companhia possui uma posição confortável de caixa até o final do ano, mas reforçou a importância de buscar reduzir a velocidade de queima deste caixa.

Já a Latam, que recentemente pediu recuperação judicial na operação nos Estados Unidos, anunciou o encerramento das operações da Companhia na Argentina. Em um cenário sensível para a Latam, que busca se adaptar e sobreviver ao momento caótico na aviação, a Empresa se viu obrigada a encerrar a operação com nossos vizinhos hermanos. A operação brasileira segue funcionando normalmente.
Com a operação no Brasil funcionando, a Latam e a Azul (AZUL4) firmaram um acordo em que compartilham a venda de passagens, atendimento e programas de milhas. O foco do acordo são as rotas domésticas, mas o mercado já especula sobre possíveis evoluções do acordo no futuro e, talvez, até mesmo uma fusão.

Cielo e Facebook? What?

A segunda quinzena do mês de junho começou animada para os amantes de compras digitais, tudo graças à mais nova funcionalidade que o Whatsapp lançou. O aplicativo agora terá sua própria carteira digital que permitirá aos seus usuários, pessoas físicas e jurídicas, realizarem transferências financeiras no País dentro de uma simples conversa, anexando o pagamento como se fosse uma foto ou um vídeo. Não é fake news, é fato. 

Essa novidade foi possível através da parceria que o Facebook, dono do Whatsapp, fez com a Cielo (CIEL3), que será responsável por processar os pagamentos feitos pelos usuários. Essa euforia toda contagiou o mercado e a Cielo, que não ouvia uma boa notícia há bastante tempo, ficou no topo do ranking de maiores altas do Ibovespa, subindo mais de 35% na semana e, de quebra, voltando a operar acima dos R$5,00, região de preço que o ativo negociava antes do assunto “coronavírus” ser o mais comentado nos grupo da família. 

Pensando na escala que o Whatsapp alcança, essa parceria veio como um presente do dia dos namorados atrasado para a Cielo, mas, como nem tudo são bombons e flores, o Facebook não fechou nenhum acordo de exclusividade então, a qualquer momento, uma concorrente pode enviar um “oi sumido” e atrapalhar esse relacionamento tão recente. 

Num primeiro momento, essa ferramenta estará liberada para aceitar pagamentos com cartões de débito e crédito de Banco do Brasil (BBAS3), Nubank e Sicredi. Um ponto que ligou o alerta do mercado é a taxa que será cobrada do comerciante, de quase 4% por transação. Esse percentual acaba ficando acima da média de mercado pra função débito, o que pode ser um entrave para Cielo na hora de atrair pessoas jurídicas para o negócio. Lembrando que para pessoa física a ferramenta é liberada de graça. 

E, mais uma vez, a Cielo entra num nicho extremamente competitivo. Nos resta acompanhar a saga da operadora brasileira de pagamento em busca do seu pote de ouro. Talvez esteja no fim do arco-íris ou no fim de uma conversa.

(Redação – Investimentos e Notícias)