Previdência foi o destaque da semana e segura Ibovespa

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Previdência segura Ibovespa (Foto: Pexels) Previdência segura Ibovespa

Conforme a Previdência chegava a seus últimos passos, os investidores foram se animando e jogaram o Ibovespa para próximo das máximas históricas. Mas foi só o Senado mexer em uma pequena parte do texto da reforma que a Bolsa caiu quase 3% apenas na quarta-feira. O motivo? Uma redução de cerca de R$70 bilhões na economia da reforma ao longo dos próximos 10 anos.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, não é o fim do projeto, mas os atritos entre o Congresso e o Executivo voltaram a aumentar. Paulo Guedes, ministro da Economia, por exemplo, ameaçou cortar repasses para estados e municípios caso novas desidratações fossem aprovadas na Previdência.

Para ajudar, os Estados Unidos voltaram a apresentar dados ruins do segmento industrial e do mercado de trabalho, apesar do desemprego ter atingido nova mínima em décadas. As apostas em cortes dos juros americanos favoreceram o real e a Bolsa brasileira, mas não apagaram a queda de quarta-feira.

Economia

A indústria havia sido o setor de destaque no PIB do segundo trimestre divulgado recentemente. Os dados de produção industrial de agosto também foram animadores, com alta de 0,80% em relação a julho deste ano.

Os números parecem positivos na superfície, mas, no acumulado do ano, o segmento ainda apresenta queda de 1,7% em relação ao final do ano passado. Isso significa que, mesmo com o crescimento atual, a indústria brasileira é menor hoje do que era em dezembro. É também menor do que era em agosto do ano passado.

A indústria é o principal motor de investimentos em quase qualquer economia, além de empregar direta ou indiretamente boa parte dos empregos mais qualificados. A debilidade do setor mostra que a recuperação econômica ainda não dá sinais consistentes de avanço, assim como temos observado em outros países ao redor do mundo. Torçamos para que o dado forte de agosto possa sinalizar um momento de virada.

Empresas

A Minerva (BEEF3) assinou um memorando para formar uma joint venture com empresários chineses, focada na distribuição de carne bovina na China. Em um momento em que o mercado chinês apresenta apetite por proteína cada vez maior, motivada pela peste suína, a Minerva pretende maximizar seus canais de distribuição na China e explorar a demanda de um mercado que representa aproximadamente 15% do consumo global de proteína bovina.

A Polícia Federal (PF) deflagrou nova fase da operação Carne Fraca e cumpriu mandados de busca e apreensão após colaboração da BRF (BRFS3). A operação investiga o pagamento de vantagens a auditores fiscais agropecuários de vários estados para atuação em favor da BRF. De acordo com a PF, aproximadamente R$19 milhões foram destinados a pagamentos indevidos aos auditores.

A Arezzo (ARZZ3) assinou um acordo e será a distribuidora exclusiva da Vans no Brasil. A Companhia comprará a operação da Vans no Brasil por cerca de R$50 milhões (considerando ativos físicos e estoques) e passará a deter a exclusividade de distribuição da marca no País. O acordo possui prazo inicial de 5 anos, com possibilidade de extensão por mais 2 anos.

O Banco do Brasil (BBAS3) anunciou oferta pública de distribuição secundária de cerca de 132 milhões de ações que, em valores atuais, seriam quase R$6,0 bilhões. A iniciativa demonstra esforço do governo para reduzir sua participação nas companhias estatais. Das ações a serem ofertadas, cerca de 68 milhões pertencem ao FI-FGTS, administrado pela Caixa (CEF), e cerca de 64 milhões são ações que estão na tesouraria do próprio Banco.

Mais uma vez, o medo tomou conta dos investidores que tem BTG Pactual (BPAC11) na carteira. No final de agosto, as units do Banco chegaram a cair mais de 30% depois que o nome da Empresa e de um dos seus conselheiros foi citado na nova fase da Lava Jato. O Banco negou a existência de irregularidades e os preços chegaram a recuperar parte das perdas.

Próxima semana

Na semana que vem, é importante observar a continuidade dos debates sobre a reforma da Previdência. No atual momento, o ponto mais importante diz respeito ao repasse de verbas do governo federal aos estados e municípios, o que tem ligação direta tanto com as discussões sobre o pacto federativo quanto com a cessão onerosa.

Já em relação ao cenário internacional, o investidor deve ficar atento às divulgações vindas do Estados Unidos. Os destaques ficam para o índice de preços ao produtor (IPP), que será divulgado terça feira (08) às 9h30 (horário de Brasília), e para a ata da reunião do FOMC, prevista para quarta feira (09) às 15h.

No que diz respeito à Europa, é esperado que os governantes anunciem, em breve, medidas de retaliação às tarifas impostas pelos EUA à importação de produtos europeus. De fato, alguns países do velho continente, com destaque para o Reino Unido e a Alemanha, apresentaram contração do PIB no 2T19, e ainda há chances de uma desaceleração mais intensa muito em decorrência da guerra comercial entre EUA e China.

(Redação – Investimentos e Notícias)