Resultados da Petrobras no terceiro trimestre de 2018 ficam abaixo das expectativas

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Resultados da Petrobras no terceiro trimestre de 2018 ficam abaixo das expectativas Foto: divulgação

A Petrobras apresentou os resultados em referência ao terceiro trimestre deste ano abaixo das expectativas inicialmente projetadas.

O resultado da companhia não atingiu o consenso do mercado financeiro principalmente pelos efeitos não recorrentes do pagamento de R$3,5  bilhões relativos ao acordo, anunciado em setembro, com a SEC (Securities and Exchange Commission, a qual atua como a CVM - Comissão de Valores Mobiliários) e com o Departamento de Justiça (DOJ) nos Estados Unidos.

O acordo visava encerrar as investigações de casos de corrupção no âmbito da Operação Lava Jato. Outra variável que impactou esta avaliação foi a menor produção de petróleo, bem como as suas exportações.     

O lucro líquido da companhia atingiu, no terceiro trimestre deste ano, a cifra de R$6,64 bilhões, alta de 25 vezes em relação ao lucro do mesmo trimestre do ano passado, quando mensurou R$266 milhões. A elevação reflete as maiores margens nas vendas de derivados no Brasil, impactada pelo aumento do petróleo Brent, referência global da commodity, e pela desvalorização do real.

Também houve aumento das vendas de diesel com a respectiva expansão de market share e as reduções de despesas gerais, administrativas e com juros, esta última explicada pela redução do endividamento da Empresa. Entretanto, na comparação com o segundo trimestre do ano, o lucro veio 34% menor, decorrente dos efeitos mencionados no parágrafo anterior.

Métricas importantes como o Ebitda Ajustado - lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização - utilizado para captar a geração bruta de caixa operacional, avançou 55,3% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, calculado em R$29,8 bilhões. Na avaliação contra o trimestre anterior, o indicador retraiu-se em 1%.

Em relação ao endividamento, a Petrobras informou ao mercado que sua dívida líquida cresceu 4%, na comparação entre o terceiro trimestre do ano passado e deste ano, totalizada em R$291,8 bilhões, explicada pela desvalorização do real perante o dólar.

De acordo com o presidente da estatal, Ivan Monteiro, a meta de desinvestimentos não será alcançada no biênio 2017/2018, diante da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, de impedir a venda de empresas controladas por estatais sem a apreciação das instituições legislativas brasileiras. Neste sentido, a companhia avalia encerrar o ano de 2018 com desinvestimentos na casa de US$7,5 bilhões.  

Apesar dos resultados aquém do esperado, impactados em grande parte por efeitos não recorrentes, acreditamos que, para os próximos períodos, a empresa consiga entregar resultados mais satisfatórios. Mantemos a recomendação de compra nos papéis PETR4, fundamentados pela contínua geração de fluxo de caixa livre ao longo dos últimos trimestres, pelos esforços estratégicos no que diz respeito à redução do endividamento e pela possibilidade de aumento da produção de petróleo. Um fator importante que deve ser acompanhado é a política de preços do novo governo, que poderá trazer implicações sobre as métricas futuras.  

*Autor: Lucas Carvalho, bacharel em Economia e pós-graduado em Gestão de Negócios pelo Ibmec, possui certificação CNPI-P e é analista de investimentos e política da equipe da Toro Investimentos. Começou a fazer parte do grupo em 2016 e, desde então, contribui especialmente com análises voltadas para a macroeconomia e para a política.