Luiz Inácio Lula da Silva - Candidato à presidência em 2018

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Destaque Pré-candidato do PT tem chances de não disputar as eleições de 2018 Foto: divulgação Pré-candidato do PT tem chances de não disputar as eleições de 2018

Entenda a trajetória desde a época como sindicalista até o depoimento de Lula.

Amado por muitos e odiados por tantos outros, o pré-candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, foi escolhido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para representar a legenda nas eleições de 2018.

A escolha foi anunciada um dia após sua condenação em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), no Rio Grande do Sul.

A principal liderança do PT já era um dos nomes mais cogitados para essas eleições e o partido confirmou sua pré-candidatura no dia 25 de janeiro, durante reunião da Comissão Executiva Nacional do partido, em São Paulo.

A esperada candidatura não passou por problemas internos para ser efetivada. No entanto, os obstáculos até chegar às urnas poderão ser muitos daqui para frente. Isso porque a condenação do ex-presidente esbarra na Lei da Ficha Limpa e pode impossibilitar sua candidatura oficial ao cargo.

A situação de Lula será definida apenas no segundo semestre de 2018, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisar o registro de candidatura. Todavia, mesmo com todos os problemas com a justiça brasileira, o candidato à presidência 2018 aparece em 1º lugar em todas as pesquisas de intenção de voto.

História de vida

Do Lula nordestino ao Lula presidente

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu no dia 27 de outubro de 1945 em Caetés, Pernambuco. O ex-presidente é um dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, que em 1952 migraram para o litoral paulista.

No início da adolescência, mudou-se para São Paulo e ingressou no curso de torneiro mecânico do SENAI aos 14 anos. Em 1964, começou a trabalhar nas Indústrias Villares - uma das principais metalúrgicas do país, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista - lugar onde começou a ter contato com o movimento sindical.

Lula casou-se duas vezes. Sua primeira esposa, Maria de Lourdes da Silva, faleceu grávida de oito meses vítima de hepatite, em 1971. A criança também não resistiu. Seu segundo casamento foi com Marisa Letícia da Silva, que faleceu em fevereiro de 2016, e com ela teve: Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio. Ele ainda tem mais dois filhos: a filha Lurian foi fruto do namoro com Miriam Cardoso e Marcos Claudio Lula da Silva é filho do primeiro casamento de Marisa Letícia, mas foi adotado legalmente por Lula.

Após ingressar na política, alguns dos filhos de Lula também decidiram seguir a mesma carreira do pai. Lurian é jornalista e foi chefe de gabinete e secretária de Ação Social da prefeitura de São José, em Santa Catarina, além de assessora parlamentar do deputado federal Gabriel Chalita em 2011.

Sandro também chegou a prestar serviços para o Partido dos Trabalhadores no primeiro ano de mandato de Lula, segundo informações do próprio partido. Marcos Claudio, por sua vez, foi eleito vereador nas eleições municipais de 2012 em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Em 2016, ele tentou se reeleger, mas não conseguiu os votos necessários.

Além dos filhos, Lula ainda teve irmãos, sobrinho, primos e cunhada trabalhando na política.

Vida política

Caminhos traçados até chegar à Lava Jato

Em 1969, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema fez eleição para escolher uma nova diretoria e Lula foi eleito segundo suplente. Alguns anos depois, em 1972, tornou-se primeiro secretário e em 1975 foi eleito presidente do sindicato com 92% dos votos. A partir daí, Lula deu uma nova direção ao movimento sindical no Brasil.

Ele foi reeleito presidente do sindicato e, após 10 anos sem greves operárias, ocorreram no país as primeiras paralisações. Com as repressões que haviam naquela época e sem representantes políticos no Congresso para os trabalhadores, Lula pensou, então, em criar um Partido dos Trabalhadores. Em 1980, ele finalmente fundou o PT, junto com outras lideranças.

Naquele mesmo ano, uma nova greve dos metalúrgicos provocou a intervenção do Governo Federal no sindicato e a prisão de Lula. O político passou 31 dias nas instalações do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) paulista.

Em 1982, disputou as eleições para o Governo de São Paulo, mas não se elegeu. Somente em 1986 Lula conseguiu ser eleito deputado federal por São Paulo, alcançando a marca de mais votado do país.

Após os movimentos pelas “Diretas Já!”, em 1989, o Partido dos Trabalhadores lançou Lula como candidato à Presidência da República. Ele perdeu a disputa no segundo turno para Fernando Collor de Mello (PRN) e, em 1994 e 1998, voltou a se candidatar a presidente da República, sendo novamente derrotado, desta vez por Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Em 2002, pela quarta vez, Lula se candidatou ao cargo de presidente e finalmente foi eleito com quase 53 milhões de votos. Nas eleições seguintes, foi reeleito ao cargo. Antes de assumir o primeiro mandato, o mercado financeiro já não reagiu de forma positiva diante da provável vitória do petista. Surgiu naquele momento o Risco Lula.

O Risco Lula foi uma reação do mercado financeiro diante da possibilidade de Lula se tornar presidente do Brasil e das incertezas econômicas desse resultado. O receio de muitos analistas na época era de que a cotação do dólar continuasse subindo e acabasse comprometendo a capacidade de pagamento de dívidas externas de empresas brasileiras e até do próprio governo.

De fato, após ser eleito, o dólar chegou a R$4,00, registrando a mais alta cotação durante os 20 anos do Plano Real até o momento. Além disso, na época, Lula ainda afirmou que não manteria o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no cargo, o que também ajudou a disparar a cotação do dólar.

No entanto, o medo do mercado não se concretizou. Lula, enquanto presidente, abandonou o discurso econômico que usava no passado, prometeu manter as bases da política do Real, substituiu Armínio Fraga por Henrique Meirelles, que havia sido CEO do Bank of Boston, e ampliou o superávit primário.

Em seu governo, Lula atuou no controle da inflação, na redistribuição de renda, em diversos programas sociais, na expansão do crédito e no aumento de empregos formais no país, o que permitiu a ascensão de classes mais pobres.

O estímulo às indústrias e o comércio foi outro projeto importante e que rendeu bons resultados à sua candidatura. O governo de Lula conseguiu aumentar o poder de consumo dos brasileiros, fornecendo um sistema cascata a todos os empresários.

No cenário internacional, o petista reforçou laços políticos e comerciais, sobretudo na América do Sul, África e Ásia. Porém, vale lembrar que Lula e o PT adotaram em seus governos políticas econômicas conservadoras.

Um dos maiores legados dos seus mandatos foi o programa social Bolsa Família, criado em 2004 com o objetivo de beneficiar famílias em situação de pobreza. Formado a partir da reforma e fusão de programas de transferência de renda já existentes no governo anterior, o Bolsa Família foi visto com bons olhos internacionalmente, mas em âmbito nacional enfrenta até hoje controvérsias, especialmente devido às fraudes frequentes.

Apesar da relação conturbada com a imprensa, o ex-presidente encerrou seus mandatos como o presidente mais bem avaliado da história. Segundo pesquisa do Datafolha na época, a gestão de Lula foi considerada ótima ou boa por 83% dos brasileiros adultos.

Partido

Os ideais que fundaram o Partido dos Trabalhadores

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O PT foi fundado em 1980 por Lula juntamente com outros sindicalistas, intelectuais, políticos, representantes de movimentos sociais, lideranças rurais e religiosas. Após 20 anos de existência, o partido decidiu, em 2002, durante sua Convenção Nacional, aprovar uma ampla aliança política com Partido Liberal (PL), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Comunista Brasileiro (PCB) e Partido da Mobilização Nacional (PMN), que teve por base um programa de governo para resgatar as dívidas sociais fundamentais.

O partido sempre levantou a bandeira do “socialismo democrático” e surgiu com base nos movimentos sindicais. No entanto, ele faz questão de afirmar que fugiu das tradicionais lideranças do sindicalismo oficial.

A ideologia do PT indica que o partido vai em busca de melhores condições de vida para os trabalhadores, além do desejo de ofertar mais oportunidade a todos os brasileiros, criando programas sociais que sustentem e abram as portas para a população mais pobre.

A sigla já ganhou as principais páginas de jornais por diversas vezes, especialmente no caso do mensalão, que envolveu diversos políticos e a entrega de propina em prol de benefícios.

Com os escândalos de corrupção envolvendo o nome do partido, a imagem do PT ficou manchada diante do eleitorado brasileiro. Segundo a própria Direção Nacional do PT, nas eleições de 2016, a legenda apresentou 46% menos candidatos a prefeito (1.829) e 47% menos candidatos a vereador (992) do que a lista para as eleições de 2012.

Além disso, o desempenho dos candidatos nas urnas também foi fraco, com o PT perdendo  cargos importantes em diversas cidades do país - um reflexo dos diversos escândalos em que o partido estava envolvido.

Com isso, o partido vivenciou uma perda de credibilidade enorme, causando impactos também na política num todo, que mostrou quedas expressivas da confiança dos eleitores em relação aos políticos brasileiros.

Polêmicas

Prisão de Lula pode estar mais próxima do que se imagina

Ainda durante sua gestão, Lula teve sua imagem atrelada a diversos escândalos. O mensalão – como ficou conhecido o esquema de propina a parlamentares da base governista – estourou em seu governo trazendo à tona o nome de 39 pessoas, entre deputados, ex-ministros, executivos e empresários.

A denúncia abalou o primeiro mandato do presidente e fez com que José Dirceu, então ministro da Casa Civil, deixasse o cargo. O petista foi apontado como o chefe do esquema de mesada, que garantia que o governo tivesse maioria para aprovar projetos de seu interesse na Câmara dos Deputados.

Atualmente, o principal envolvimento de Lula é sua condenação em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ao receber um apartamento triplex, da empreiteira OAS, na cidade paulista do Guarujá em troca de favorecimento à empresa em contratos da Petrobras.

Além disso, o político ainda responde por mais sete processos na justiça, sendo todos no âmbito da Operação Lava Jato.

- Lula responde pela acusação de corrupção envolvendo empreiteiras em obras de um sítio em Atibaia (SP).

- Pela compra de silêncio do ex-presidente da Petrobras, Nestor Cerveró, que na época da acusação estaria prestes a fechar uma delação premiada.

- Por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em uma compra de terreno para o Instituto Lula e um apartamento ao lado do imóvel em que mora atualmente.

- Por tráfico de influência, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva por supostamente ter liberado recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Odebrecht.

- Por corrupção passiva na Operação Zelotes, um desmembramento da Lava Jato, por venda de medidas provisórias. Lula foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal por aceitar promessa de receber R$6 milhões para se posicionar a favor de montadoras em uma medida provisória editada em novembro de 2009, durante seu segundo mandato como presidente da República.

- Por tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro pelas negociações que levaram à compra de 36 caças Gripen da empresa sueca Saab, pelo governo federal quando ele já não era presidente.

- E, por fim, com a cúpula do PT, que é acusada de organização criminosa. Neste caso, Lula é apontado como o principal idealizador da organização, que atuou em nomeações de cargos públicos em favor de apoio político, envolvendo outros partidos e diversos empresários.

Perspectivas

Embora esteja diante de um cenário bastante negativo, Luiz Inácio Lula da Silva mantém  uma imagem política forte. Considerado uma das figuras mais importantes do País, mesmo com as investigações, denúncias e condenações, ele ainda possui grande poder de liderança diante dos eleitores.

Nas intenções de voto para as eleições de 2018, seu nome aparece na liderança tanto no primeiro quanto no segundo turno. Resta saber se Lula conseguirá efetivamente ser candidato à presidência da República e estar apto a assumir o cargo em 2019.

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