Concessões de crédito somaram R$ 307 bi em fevereiro

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Concessões de crédito somaram R$ 307 bi em fevereiro (Foto: Pexels) Concessões de crédito somaram R$ 307 bi em fevereiro

Em fevereiro, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$10,5 trilhões (142,9% do PIB), crescendo 1,4% no mês, refletindo as expansões de 4,5% na dívida externa (impulsionada pela depreciação cambial de 5,4%), de 0,7% nos títulos de dívida (notadamente títulos públicos) e de 0,5% nos empréstimos e financiamentos, segundo dados do Banco Central (BC). Na comparação interanual, o crédito ampliado variou 12,1%, resultado dos aumentos de 16,3% na dívida externa, de 14,1% nos títulos de dívida e de 7,6% nos empréstimos e financiamentos. 

O crédito ampliado a empresas e famílias somou R$5,9 trilhões (80,2% do PIB), com crescimento de 1,5% no mês e de 12,9% em doze meses. A variação mensal foi influenciada pelo efeito da depreciação cambial na dívida externa, que aumentou 5,1%, enquanto os empréstimos e financiamentos expandiram-se 0,5% e os instrumentos do mercado de capitais (títulos privados mais securitizados) decresceram 0,3%. Na comparação interanual, o mercado de capitais doméstico mantém a expansão mais relevante, 28,1%. 

Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O saldo das operações de crédito do SFN totalizou R$3,5 trilhões em fevereiro, o que representou crescimento de 0,6% no mês, com expansões de 0,7% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$1,4 trilhão) e de 0,6% na de pessoas físicas (R$2 trilhões). O crescimento em doze meses acelerou para 7,5%, de 7,2% em janeiro, resultado das variações de 12,3% no saldo do crédito às famílias e de 1,4% no montante de crédito ofertado às empresas.

O crédito livre a pessoas físicas somou R$1,1 trilhão, acréscimos de 0,5% no mês e de 16,7% em doze meses, com maiores elevações em crédito pessoal consignado e não consignado, cheque especial e veículos. O crédito livre para pessoas jurídicas alcançou R$891 bilhões, apresentando variações de 1,5% no mês e de 13,1% em doze meses, destacando-se as modalidades de capital de giro, conta garantida, aquisição de veículos, financiamentos para exportação e repasses externos (essa última, com maior influência da depreciação cambial).

No crédito direcionado, as operações com pessoas físicas atingiram R$916 bilhões, variações de 0,8% no mês e de 7,3% em doze meses, destacando-se os financiamentos imobiliários. A carteira de pessoas jurídicas permaneceu em trajetória declinante, recuando 0,7% e 13,1% nos mesmos períodos, situando-se em R$552 bilhões em fevereiro.

As concessões totais de crédito somaram R$307 bilhões em fevereiro, queda de 4,8% no mês, influenciada pela ocorrência de quatro dias úteis a menos que janeiro. Na série ajustada sazonalmente, houve aumento de 2,1%, com variação de 2,6% em pessoas jurídicas e de -0,2% em pessoas físicas. No acumulado do ano, comparado com o mesmo período do ano anterior, as concessões totais cresceram 10,8%, compostas por expansões de 11,3% no crédito às famílias e de 10,2% com empresas. 

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, situou-se em 20,3% a.a., registrando estabilidade no mês (+0,1 p.p.) e redução de -0,7 p.p. na comparação interanual. No crédito livre não rotativo, o ICC permaneceu estável no mês (-0,1 p.p.) e recuou 2,3 p.p. em relação a fevereiro de 2019, alcançando 26,9%. O spread geral do ICC situou-se em 14,5 p.p., permanecendo estável em relação a janeiro (+0,1 p.p.) e aumentando 0,3 p.p. em doze meses.

A taxa média de juros das operações contratadas em fevereiro alcançou 23% a.a., com ligeira variação de -0,1 p.p. no mês e redução de 1,7 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas de juros das concessões situou-se em 18,5 p.p., com pequenas variações de +0,1 p.p. e -0,1 p.p., nos mesmos períodos.

No crédito livre, a taxa média de juros das concessões atingiu 34,1% a.a., com elevação de 0,4 p.p. no mês e redução de 3,8 p.p. na comparação interanual. No crédito às famílias, taxa média de 46,7% a.a., com aumento mensal de 1,1 p.p. (crédito pessoal não consignado: +3,0 p.p.; cartão rotativo regular: +1,8 p.p.; cartão rotativo não regular: +9,5 p.p.). De acordo com a metodologia divulgada na Nota para a Imprensa de janeiro, as estatísticas de taxas de juros do cheque especial são estimadas, na primeira divulgação, sendo revisadas no mês seguinte. Dessa forma, as taxas de juros do cheque especial de janeiro foram revisadas para 141% a.a. Em fevereiro, a taxa de juros do cheque especial alcançou 130% a.a., com quedas de 11 p.p. no mês e de 135,6 p.p. em doze meses, correspondendo a 7,2% a.m.

No crédito livre às empresas, a taxa média de juros caiu 0,6 p.p. em fevereiro, para 17% a.a., com reduções em diversas modalidades (capital de giro: -0,9 p.p.; desconto de duplicatas e recebíveis: -2,0 p.p.; aquisição de veículos: -0,4 p.p.). Excluindo-se as operações rotativas, a taxa média de juros do crédito livre situou-se em 26,4%, com estabilidade no mês e redução de 3,0 p.p. na comparação interanual.

Agregados monetários

A base monetária alcançou R$303,2 bilhões em fevereiro, diminuição de 4,6% no mês e aumento de 4,5% em doze meses. No mês, as reservas bancárias encolheram 27,5% e o papel-moeda emitido cresceu 0,7%. Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, impactaram de forma contracionista as operações com títulos federais, R$17,8 bilhões (colocações líquidas de R$19,9 bilhões no mercado primário e compras líquidas de R$2,1 bilhões no mercado secundário) e as operações do Tesouro Nacional, R$9,4 bilhões. Em sentido expansionista, destacam-se as operações com derivativos, R$7,6 bilhões, os depósitos de instituições financeiras, R$2,3 bilhões (variações nos saldos de recolhimentos compulsórios sobre depósitos a prazo e de poupança), e as operações do setor externo, R$1,4 bilhão, resultante das operações de recompra a termo.

O saldo dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$401,4 bilhões, crescimento de 0,9% no mês, com elevação de 2,8% no saldo de depósitos à vista, enquanto o papel-moeda em poder do público registrou queda de 0,9%. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 avançou 0,3% no mês.

O M2 cresceu 0,3% no mês, totalizando R$3,0 trilhões, refletindo, além do crescimento no saldo do M1, o aumento de 0,5% no saldo dos títulos emitidos por instituições financeiras (depósitos a prazo: +1,9%). No mês, foram registradas captações líquidas de R$18,8 bilhões nos depósitos a prazo e resgates líquidos de R$3,6 bilhões nos depósitos de poupança. O M3 avançou 0,5% no mês, situando-se em R$6,8 trilhões, acompanhando o crescimento de 0,7% no saldo das quotas de fundos do mercado monetário (R$3,6 trilhões). O M4 registrou aumento de 0,2% no mês e de 7,5% nos últimos 12 meses, encerrando o mês em R$7,2 trilhões.

(Redação – Investimentos e Notícias)