Crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$11,2 trilhões

  •  
Crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$11,2 trilhões (Foto: Pexels) Crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$11,2 trilhões

Em agosto, o crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$11,2 trilhões (155,7% do PIB), aumento de 1,9% no mês, segundo dados do Banco Central (BC). A variação mensal refletiu os acréscimos de 4,2% no saldo da dívida externa, ressaltando o impacto da depreciação cambial de 5,2%; de 1,9% nos empréstimos e financiamentos e de 0,7% nos títulos de dívida, com a expansão em títulos públicos. Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 13,1%, resultado dos aumentos em todos os seus componentes: dívida externa, empréstimos e financiamentos e títulos de dívida, respectivamente, 22,1%, 12,1% e 9,4%.

O crédito ampliado a empresas e famílias alcançou R$6,4 trilhões (89,4% do PIB), elevações de 2,1% no mês e de 16,1% em doze meses. No mês, o saldo da dívida externa cresceu 3,9%, diante do efeito da variação cambial, e os empréstimos e financiamentos, 1,9%, destacando-se as operações do sistema financeiro nacional. O saldo dos instrumentos do mercado de capitais declinou, tanto títulos privados quanto instrumentos securitizados. Nos últimos doze meses, o crescimento do crédito ampliado a empresas e famílias distribuiu-se por seus componentes: dívida externa, 31,7%, estimulada pela desvalorização cambial; empréstimos e financiamentos, 12%; e títulos de dívida, 6,3%.

Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O saldo das operações de crédito do SFN alcançou R$3,7 trilhões em agosto, aumento de 1,9% no mês, com acréscimos de 2,4% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$1,6 trilhão) e de 1,5% em pessoas físicas (R$2,1 trilhões). Em doze meses, o crescimento da carteira total acelerou de 11,3% para 12,1%, estimulado pelas operações com empresas (de 15,1% para 16,7%), enquanto as operações com famílias elevaram-se de 8,4% para 8,8%.

O crédito livre para pessoas jurídicas alcançou R$1 trilhão, crescendo 2,2% no mês e 26,9% em doze meses, mantendo-se destaque nas operações de capital de giro, notadamente com prazo superior a um ano. O saldo do crédito livre a pessoas físicas totalizou R$1,1 trilhão, elevações de 1,6% no mês e de 8,3% em doze meses, sobressaindo cartão de crédito à vista e crédito pessoal consignado. A carteira de veículos também registrou crescimento, acompanhando a retomada das concessões.

No crédito direcionado, a carteira de pessoas jurídicas somou R$603 bilhões em agosto, elevações de 2,8% no mês e de 2,5% na comparação interanual, interrompendo trajetória de queda em doze meses que ocorria desde junho de 2016. A recuperação recente dessa carteira ocorreu com o aumento nas operações de outros créditos direcionados (12,4% no mês e 43,3% em doze meses), refletindo contratações dos programas de apoio para micro, pequenas e médias empresas. O saldo com pessoas físicas alcançou R$955 bilhões, expansões de 1,3% no mês e de 9,4% na comparação interanual, destacando-se crédito rural e financiamento imobiliário.

As concessões totais de crédito somaram R$343 bilhões em agosto, com dois dias úteis a menos que julho. Na série com ajuste sazonal, houve elevação mensal de 1,9%, com variações de +4,5% para famílias e -1,7% com empresas. No acumulado do ano, em relação ao mesmo período de 2019, as concessões totais cresceram 5,6%, pela elevação em pessoas jurídicas, 14,2%, e contração em pessoas físicas, -1,6%.

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, situou-se em 17,9% a.a. em agosto, declínios de 0,4 p.p. no mês e de 3,3 p.p. na comparação interanual. No crédito livre não rotativo, ocorreram reduções de 0,4 p.p. e 5,4 p.p., nas mesmas bases de comparação, alcançando 23,3%. O spread geral do ICC alcançou 12,7 p.p., quedas de 0,3 p.p. e de 2,1 p.p., nos mesmos períodos.

A taxa média de juros das operações contratadas em agosto alcançou 18,7% a.a., com diminuições de 0,5 p.p. no mês e de 6,1 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas de juros das concessões situou-se em 15 p.p., com declínios de 0,5 p.p. e de 4,4 p.p., nos mesmos períodos.

No crédito livre, a taxa média de juros das concessões atingiu 26,7% a.a., reduzindo-se 0,6 p.p. no mês e 10,5 p.p. na comparação interanual. Para as famílias, a taxa média de juros situou-se em 39% a.a., declínio de 0,9 p.p. no mês, destacando-se crédito não consignado (-12 p.p.) e cartão rotativo regular (-8,9 p.p.). No crédito livre às empresas, a taxa média de juros manteve-se estável em 12,4% a.a. Excluindo-se as operações rotativas, a taxa média de juros do crédito livre alcançou 20,4% a.a., com declínios de 0,5 p.p. no mês e 8,1 p.p. em doze meses.

Agregados monetários
A base monetária alcançou R$402,7 bilhões em agosto, queda de 4,9% no mês e crescimento de 42,5% em doze meses. No mês, as reservas bancárias diminuíram 34,1%, e o papel-moeda emitido cresceu 1,6%. Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, as operações com Títulos Públicos Federais foram contracionistas em R$130 bilhões (resultante de colocações líquidas de R$32,9 bilhões no mercado primário e de vendas líquidas de R$97,2 bilhões no mercado secundário). No sentido expansionista, destacaram-se as operações do Tesouro Nacional, R$88,1 bilhões, as operações com derivativos, R$14,3 bilhões, e os depósitos de instituições financeiras, R$2,9 bilhões (liberações de recursos de depósitos de poupança em R$5,1 bilhões menos recolhimentos sobre depósitos a prazo em R$2,2 bilhões).

Os meios de pagamento restritos (M1) encerraram o mês em R$550 bilhões, elevação de 2,6% no mês, acompanhando os aumentos de 2,8% em depósitos à vista e de 2,5% no papel-moeda em poder do público. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 registrou queda de 6,8% no mês.

O M2 cresceu 0,9% no mês, totalizando R$3,7 trilhões, refletindo, além do crescimento no saldo do M1, o aumento de 1% no saldo dos depósitos de poupança, que totalizou R$987 bilhões, e de 1,1% no saldo de depósitos a prazo, que somou R$1,6 trilhões. No mês, foram registradas captações líquidas de R$11,4 bilhões nos depósitos de poupança e de R$14,3 bilhões nos depósitos a prazo. O M3 aumentou 1,9% no mês, atingindo R$7,7 trilhões, com elevação de 2,7% no saldo das quotas de fundos do mercado monetário (R$3,7 trilhões). O M4 registrou aumento de 1,9% no mês e de 15,4% em 12 meses, totalizando R$8,1 trilhões.

(Redação – Investimentos e Notícias)