Entraves dificultam recuperação da indústria

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Destaque Entraves dificultam recuperação da indústria (Foto: Pexels) Entraves dificultam recuperação da indústria

Os dados da Sondagem Industrial de março de 2018 mostram crescimento da produção, manutenção do emprego e aumento do uso da capacidade instalada, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Embora seja comum que se registre crescimento da produção na passagem de fevereiro para março, em 2018 esse crescimento foi mais intenso que o usual.

Contudo, os dados da Sondagem Industrial também apontam limitações para uma recuperação mais intensa da indústria. As condições financeiras das empresas pioraram em março, os estoques, que vinham ajustados, apontaram algum excesso e a ociosidade, mesmo recuando, ainda está em um patamar muito alto. As expectativas continuam positivas, mas em um menor grau e a inten- ção de investimento registrou queda pelo segundo mês consecutivo.

Os dois principais problemas enfrentados pelo setor mantiveram-se inalterados na comparação entre o 4º trimestre de 2017 e o 1º trimestre de 2018. A elevada carga tributária continua em primeiro lugar, com 42,6%, seguida pela falta de demanda interna, com 34,5%. Em terceiro lugar, a falta ou alto custo da matéria prima apareceu, subindo quatro posições em relação ao trimestre anterior. Esse problema aumentou em 6,2 pontos percentuais, sendo assinalado por 23,1% das empresas.

O índice de evolução da produção alcançou 55,2 pontos em março, um crescimento de 8,7 pontos na comparação com o mês anterior. É usual o crescimento do indicador na passagem de fevereiro para março, por conta do fim do Carnaval e da reativação da atividade. O índice de março de 2018, contudo, mostra que o crescimento da atividade entre fevereiro e março foi mais intenso que o usual esse ano. O índice é 2,1 pontos maior do que a média histórica dos meses de março, iniciada em 2010. 

Por sua vez, o índice de evolução do número de empregados permaneceu estável em 49,6 pontos. Como está próximo a linha divisória dos 50 pontos, indica que o número de empregados apresentou estabilidade entre fevereiro e março de 2018. É o segundo mês seguido de estabilidade após longa sequência de quedas do emprego.

A utilização média da capacidade instalada pela indústria (UCI) foi de 66% em março, um aumento de 2 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mês anterior. Embora esse percentual seja superior aos registrados no mesmo mês de 2016 e 2017, ainda está 2,5 p.p. abaixo da média histórica para março, iniciada em 2011.

O índice de utilização da capacidade instalada efetiva em relação ao usual aumentou 1,1 ponto, alcançando 43,9 pontos. Embora ainda distante da linha divisória dos 50 pontos, que indicaria uma UCI igual ao usual, o índice é o maior desde de fevereiro de 2014 quando registrou 44,7 pontos.

Os índices de satisfação com a situação financeira e com o lucro operacional recuaram no primeiro trimestre do ano, na comparação com o último trimestre de 2017. Essa queda interrompe uma sequência de sete trimestres de crescimento. 

O índice de satisfação com a situação financeira registrou 46,0 pontos, uma queda de 1,3 ponto frente ao trimestre anterior, enquanto que o índice de satisfação com o lucro operacional caiu 1,5 ponto, alcançando 41,3 pontos, na mesma base de comparação. Apesar da queda, os indicadores estão acima dos valores observados no primeiro trimestre dos últimos três anos. No entanto, permanecem abaixo da linha divisória de 50 pontos, indicando insatisfação tanto com a margem de lucro operacional como a situação financeira.

O índice de acesso ao crédito alcançou 37,6 pontos no primeiro trimestre de 2018 frente aos 37,3 pontos registrado no quarto trimestre do ano passado. Esse é o sétimo aumento consecutivo do indicador. O crescimento, contudo, é lento: no período, o crescimento acumulado é de apenas 8,6 pontos. Assim, o índice continua muito distante da linha divisória dos 50 pontos, indicando que a indústria segue com dificuldade de acesso ao crédito.

De uma forma geral, as expectativas reduziram-se levemente em abril, após três meses de crescimento. Apesar da queda, todos os índices de expectativa continuam acima da linha divisória dos 50 pontos, indicando otimismo dos empresários para os próximos seis meses, ainda que em menor intensidade.

O índice de expectativa de quantidade exportada foi o único que não recuou em abril, variando apenas 0,1 ponto entre março e abril, de 55,3 para 55,4 pontos.

O índice de intenção de investimento para os próximos meses passou de 53,3 pontos para 52,9 pontos entre março e abril de 2018. É a segunda queda consecutiva do indicador. Não obstante, na comparação com abril de 2017, o índice registra aumento de 5,9 pontos.