Indústria têxtil e de confecção defende redução da Selic e do spread bancário

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Indústria têxtil e de confecção defende redução da Selic e do spread bancário Foto: Divulgação Indústria têxtil e de confecção defende redução da Selic e do spread bancário

"Considerando que a recuperação econômica segue frágil e lenta e que a inflação continua abaixo da meta e com perspectivas de estabilidade, a taxa básica de juros ainda está elevada. 

São compreensíveis a preocupação e o cuidado do Copom e do governo, mas a Selic de 6,5% ao ano ainda é alta", pondera Fernando Valente Pimentel, presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), acrescentando: "Portanto, seria positiva sua redução. Porém, os juros reais para o crédito livre somente serão reduzidos a níveis que estimulem investimentos e a produção se forem encontradas soluções para a queda do spread bancário".

Argumentação do líder empresarial seguiu-se à divulgação da Selic, neste dia 6 de fevereiro, após a primeira reunião do Copom no mandato do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, ante os objetivos de toda a sociedade e do novo governo de retomada do nível de atividade em grau e ritmo mais acentuados, os juros representam um ponto crítico. "Mais do que nunca, considerando que as empresas estão descapitalizadas em função da grave crise que vimos enfrentando, são prementes melhores condições para a contratação de crédito para investimento e consumo. As atuais taxas cobradas pelos bancos são incompatíveis com os propósitos de recuperação do País e sua conversão em economia de renda alta".

O presidente da Abit, tratando da questão das taxas de juros e da campanha que vem sendo realizada pela Febraban, entende ser necessário que o setor financeiro faça uma autoanálise, avaliando a concentração bancária no mercado nacional, sua produtividade e outros fatores intrínsecos que pressionam seus custos além dos mencionados no estudo de sua entidade que subsidia a campanha institucional.

"Além das questões e problemas externos atrelados ao custo Brasil, aos quais estão expostos todos os ramos de atividade no País, é preciso olhar para dentro, como tem feito a indústria, segmento que sofre concorrência tremenda de competidores localizados em países os quais não têm de carregar nos ombros todos os custos que oneram os produtores nacionais", conclui Pimentel.

Expectativas do setor

O presidente da Abit lembra pesquisa da entidade sobre as expectativas quanto ao Governo Bolsonaro dos empresários da indústria têxtil e de confecção, constituída por 30 mil empresas e geradora de seis milhões de empregos diretos e indiretos: 63,11% dos empresários do setor estão otimistas e 9,84%, muito otimistas. Tal sentimento ganha ênfase em dois relevantes indicadores: 65,74% pretendem ampliar os investimentos e 60,91% informaram que contratarão recursos humanos em 2019.

"Porém, para que tudo isso aconteça, os juros serão um fator crítico", enfatiza Pimentel, lembrando que a preocupação com as taxas praticadas no Brasil é um dos itens que aparece na pesquisa.

(Redação - Investimentos e Notícias)