Produção industrial cresce ligeiramente em junho

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Produção industrial cresce ligeiramente em junho (Foto: Divulgação) Produção industrial cresce ligeiramente em junho

Os dados da Sondagem Industrial de junho mostram aumento da atividade, que reverte, em grande medida, as quedas registradas no mês anterior, na esteira da interrupção do transporte rodoviário de cargas, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Com isso, a produção industrial em junho aumentou ligeiramente após a forte queda de maio. O índice de evolução da produção passou de 41,6 pontos em maio para 50,8 pontos em junho. Ou seja, passou de um índice muito abaixo da linha divisória (mostrando queda intensa e disseminada da produção, frente ao mês anterior) para índice superior, ainda que próximo, a essa linha (mostrando leve aumento da produção).

Ressalte-se que em anos anteriores, a tendência é que junho seja um mês de atividade mais fraca que maio (índices tendem a situar-se abaixo da linha divisória).

O índice de evolução do número de empregados manteve-se praticamente estável entre maio e junho (queda de 0,2 ponto, para 48,1 pontos). O índice mostra uma redução do emprego industrial no período. Não obstante, o indicador de junho de 2018 é o maior para o mês dos últimos cinco anos.

Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) efetiva em relação ao usual ficou em 42,8 pontos, patamar próximo ao observado em abril (43,0 pontos). O índice aumentou 5,5 pontos frente a maio, revertendo praticamente toda a queda daquele mês.

A UCI ficou em 66% em junho, três pontos percentuais acima do registrado em maio. Com o aumento, a UCI retoma o percentual observado em março e abril. Mais ainda, nos últimos quatro anos, é o percentual mais elevado para o mês.

O forte acúmulo de estoques de maio foi revertido quase em sua totalidade em junho. O índice de evolução dos estoques ficou em 48,4 pontos, indicando queda dos estoques. Já o índice de estoque efetivo-planejado, que alcançou 53,3 pontos em maio, reduziu para 50,4 pontos. O índice passou a situar-se muito próximo à linha divisória de 50 pontos, que indica que os estoques da indústria estão de acordo com o planejado.

Os índices de satisfação com lucro operacional e com a situação financeira recuaram pelo segundo trimestre consecutivo, após terem apresentado sequência de sete trimestres de crescimento. Apesar das duas quedas consecutivas, ambos índices estão acima dos valores observados no mesmo trimestre dos quatro anos anteriores. 

O índice de satisfação com a situação financeira ficou em 45,3 pontos no segundo trimestre de 2018, uma queda de 0,7 ponto na comparação com o observado no primeiro trimestre e crescimento de 1,3 ponto frente ao 2º trimestre de 2017. Já o índice de satisfação com o lucro operacional registra 39,9 pontos, um recuo de 1,4 ponto frente ao trimestre anterior e crescimento de 1,2 ponto, na comparação com o mesmo trimestre de 2017.

O índice de acesso ao crédito caiu 0,7 ponto, para 36,9 pontos entre o primeiro e segundo trimestres de 2018. É a primeira queda do índice após sete aumentos consecutivos. O indicador permanece distante dos 50 pontos, apontando que o acesso ao crédito segue muito mais difícil que o usual. Mesmo com a queda, o índice encontra-se 2,8 pontos acima do registrado no 2º trimestre de 2017.

Vale destacar a relação de principais problemas enfrentados pela indústria no 2º trimestre de 2018 foi influenciada pela paralisação dos serviços de transporte rodoviário em maio. Na opção de resposta “outros”, diversos empresários mencionaram não só a paralisação, como também a questão da criação de uma tabela de fretes como um dos maiores problemas enfrentados no trimestre.

A elevada carga tributária e a demanda interna insuficiente permaneceram como 1º e 2º problemas mais apontados pelas empresas, mas a assinalação de ambos recuou na comparação com o 1º trimestre. A elevada carga tributária foi apontada por 39,2% dos respondentes, 3,4 pontos percentuais (p.p.) a menos que no trimestre anterior. A assinalação de demanda insuficiente recuou 4,2p.p., para 30,3%.

A falta ou alto custo da matéria-prima manteve-se na 3ª posição do ranking de principais problemas, com 26,9% de assinalações. É o quarto trimestre consecutivo de aumento do percentual; antes do aumento recente, o item era apenas o 7º principal problema. Foram 12,5 p.p. a mais de assinalações no período.

Em seguida, praticamente empatada com o item anterior, a dificuldade na logística de transporte apresentou 29,6% de marcações. Claramente afetada pela interrupção dos transportes, a opção recebeu 13,7p.p. a mais de assinalações, passando do 9º para o 4º lugar no ranking de principais problemas.

A taxa de câmbio também saltou entre as principais preocupações da indústria. O item recebeu 12,6 p.p. a mais de assinalações, alcançando 21,8%. A opção saltou da 13ª posição no ranking de principais problemas para a 5ª posição.

Além disso, os empresários em julho mostram mais otimismo que no mês anterior. Os índices de expectativa de demanda, de compras de matérias-primas e de número de empregados aumentaram, após três quedas consecutivas. Os índices de demanda e de compras se afastaram da linha divisória, mostrando maior otimismo. O índice de número de empregados, que chegou a registrar expectativa de queda do emprego industrial, agora aponta estabilidade. O empresário também mostra expectativa de aumento na quantidade exportada, apesar da taxa de câmbio ter recebido mais assinalações em principais problemas.

Por fim, a intenção de investir do empresário continua em trajetória de queda. O índice de intenção de investimento recuou 1,1 ponto em julho, para 49,4 pontos. É a quinta queda consecutiva do indicador, que acumula um decréscimo de 4,2 pontos no período. Apesar da trajetória desfavorável recente, o índice é 2,8 pontos maior que o registrado em julho de 2017.

(Redação - Investimentos e Notícias)