Transações correntes foram superavitárias pelo 5º mês consecutivo

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Transações correntes foram superavitárias pelo 5º mês consecutivo (Foto: Pexels) Transações correntes foram superavitárias pelo 5º mês consecutivo

As transações correntes foram superavitárias pelo quinto mês consecutivo em agosto, US$3,7 bilhões, ante déficit de US$3,0 bilhões em agosto de 2019, segundo dados do Banco Central (BC). 

De acordo com o BC, essa reversão seguiu tendência observada no mês anterior e decorreu da alta de US$2,4 bilhões no superávit da balança comercial de bens e das reduções de US$3,5 bilhões e de US$882 milhões nos déficits em renda primária e serviços, respectivamente. O déficit em transações correntes somou US$25,4 bilhões (1,64% do PIB) nos 12 meses encerrados em agosto, ante déficit de US$32,2 bilhões (2,03% do PIB) no período equivalente terminado em julho.

As exportações de bens totalizaram US$17,8 bilhões em agosto, recuo de 9,8% ante igual mês de 2019, e as importações de bens, US$11,9 bilhões, declínio de 26,8%. No Repetro estimam-se importações de US$435 milhões em agosto de 2020 e de US$318 milhões em agosto de 2019. Com efeito, o incremento no saldo comercial decorre da maior intensidade da retração das importações relativamente às exportações. No acumulado do ano, as exportações e as importações recuaram 7,1% e 12,4%, respectivamente, resultando em superávit comercial de US$31,9 bilhões, superior aos US$27,5 bilhões observados no mesmo período de 2019.

O déficit na conta de serviços atingiu US$1,3 bilhão no mês, recuo de 39,6% ante o resultado de agosto de 2019, US$2,2 bilhões. A conta de viagens internacionais continua a refletir os impactos da pandemia no setor, com diminuição interanual de 85,4% nas despesas líquidas, para US$123 milhões em agosto de 2020, em comparação a US$842 milhões no mesmo mês do ano anterior. Destaque-se também a redução de 80,5% nas despesas líquidas de transportes, de US$477 milhões para US$93 milhões.

Em agosto de 2020, o déficit em renda primária recuou 74,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, atingindo US$1,2 bilhão. As despesas líquidas de lucros e dividendos situaram-se em US$276 milhões, 91,7% inferiores aos US$3,3 bilhões ocorridos no mês equivalente do ano anterior. Esse resultado foi determinado pela contração das despesas em US$2,9 bilhões, para US$1,4 bilhão. Os gastos líquidos com juros somaram US$925 milhões no mês, recuo de 32,2% na comparação interanual. No acumulado do ano, o déficit em renda primária totalizou US$28,5 bilhões, 27,2% inferior aos US$39,1 bilhões registrados no ano anterior.

Em agosto, os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$1,4 bilhão, ante US$9,5 bilhões no mesmo mês de 2019, resultado de ingressos líquidos de US$1,6 bilhão em participação no capital e saídas líquidas de US$130 milhões em operações intercompanhia. Nos doze meses encerrados em agosto de 2020, o IDP totalizou US$54,5 bilhões, correspondendo a 3,51% do PIB, em comparação a US$62,6 bilhões (3,94% do PIB) no mês anterior. 

Em agosto, a exemplo do observado no mês anterior, os fluxos líquidos de investimentos diretos no exterior (IDE) somaram aplicações líquidas de US$1,0 bilhão, ante desinvestimentos ocorridos de fevereiro a junho. No acumulado do ano, até agosto, os regressos líquidos somaram US$18,5 bilhões, em comparação a aplicações líquidas de US$13,9 bilhões em período correspondente do ano anterior.

No mês de agosto, ocorreram ingressos líquidos de US$2,3 bilhões em instrumentos de portfólio negociados no mercado doméstico, compostos por US$300 milhões em ações e fundos de investimento e US$2,0 bilhões em títulos de dívida. Nos oito primeiros meses do ano, houve saídas líquidas de US$28,3 bilhões, ante ingressos líquidos de US$7,5 bilhões no mesmo período do ano anterior. Nos doze meses encerrados em agosto, a saída líquida de investimento em portfólio no mercado doméstico somou US$43,4 bilhões.

Reservas internacionais

O estoque de reservas internacionais atingiu US$356,1 bilhões em agosto, aumento de US$1,4 bilhão em comparação ao mês anterior. A receita de juros contribuiu para o aumento do estoque de reservas internacionais em US$416 milhões. As variações por paridades e por preço elevaram o estoque, respectivamente, em US$516 milhões e US$146 milhões. Adicionalmente, o resultado líquido positivo de US$210 milhões nos diferentes instrumentos de intervenção no mercado de câmbio – US$2,0 bilhões de retornos líquidos em linhas com recompra e US$1,8 bilhão de vendas à vista – elevou o estoque de reservas internacionais.

(Redação – Investimentos e Notícias)