Vale registrou um lucro líquido de R$ 5,3 bi no 2T20

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Vale registrou um lucro líquido de R$ 5,3 bi no 2T20 (Foto: Divulgação) Vale registrou um lucro líquido de R$ 5,3 bi no 2T20

A Vale registrou um lucro líquido de R$ 5,3 bilhões no segundo trimestre de 2020 (2T20), ficando R$ 4,3 bilhões acima do 1T20, devido ao maior EBITDA no 2T20 e principalmente pelo melhor resultado financeiro líquido, dado que no 1T20 essa linha foi fortemente impactada por despesas com derivativos em função da desvalorização do real frente ao dólar. Estes efeitos foram parcialmente compensados por: (a) impairment em ativos de níquel de R$ 1,8 bilhão, após o anúncio em maio de 2020 do acordo de exclusividade para negociar a venda de VNC com a empresa australiana New Century Resources Limited; (b) provisões adicionais de R$ 2,9 bilhões para gastos futuros com a Fundação Renova, seguindo a atualização de seu plano de negócios e necessidade de recursos financeiros para cumprir com seus compromissos.

No 2T20, o EBITDA ajustado proforma da Vale, excluindo R$ 693 milhões de despesas relacionadas a Brumadinho e R$ 469 milhões de doações e iniciativas para combater a pandemia do COVID-19, totalizou R$ 19,3 bilhões, ficando R$ 5,6 bilhões acima do 1T20. Após esses efeitos, o EBITDA ajustado foi de R$ 18,1 bilhões no 2T20.

Em junho de 2020, a Vale assinou, juntamente com a Sumitomo Metal Mining Co., acordos definitivos para a venda de participação de 20% da PT Vale Indonesia Tbk ("PT Vale"), que é um dos requisitos a serem cumpridos para que a PT Vale tenha direito a prorrogar sua licença para operar além de 2025. Por sua participação, a Vale receberá aproximadamente US$ 290 milhões em dinheiro após a conclusão da transação, esperada para ocorrer até o final de 2020, após a satisfação de aprovações regulatórias.

A Vale gerou US$ 277 milhões de Fluxo de Caixa Operacional no 2T20, ficando US$ 103 milhões abaixo do 1T20 devido, principalmente, à maior necessidade de capital de giro para suportar as vendas CFR mais fortes no 2T20 concentradas em junho, que possuem um maior lead time do que as vendas FOB. A Vale espera que seu fluxo de caixa livre melhore substancialmente no 2S20, com o aumento de volumes e a normalização gradual do capital de giro.

Em julho de 2020, a Vale emitiu US$ 1,5 bilhão em bonds com vencimento em 2030 com um cupom de 3,75% por ano, representando um retorno bem sucedido ao mercado internacional de dívida, do qual esteve ausente desde fevereiro de 2017, com um excesso de subscrição de 9x e o menor yield histórico para o benchmark de 10 anos da Vale. Com tal liquidez adicional, a Vale pretende repagar uma parte de sua linha de crédito rotativo no terceiro trimestre de 2020.

Minerais Ferrosos

O EBITDA ajustado do negócio de Minerais Ferrosos foi R$ 18,8 bilhões no 2T20, R$ 6,0 bilhões superior ao 1T20, principalmente devido a (a) aos maiores preços realizados, refletindo a demanda saudável vindo da China; (b) aos maiores volumes de venda de finos de minério de ferro, após um trimestre de volume de produção mais forte; (c) ao efeito positivo da desvalorização do real frente ao dólar; e (d) aos menores custos de frete, que foram parcialmente compensados por maiores custos caixa C1 de finos de minério de ferro.

O preço realizado CFR/FOB da Vale totalizou US$ 88,9/t, um aumento de US$ 5,1/t comparado ao 1T20, principalmente devido ao maior preço de referência 62% Fe, a maior curva de preços futura e a maiores prêmios para os produtos de baixa alumina da Vale.

A desvalorização média trimestral de 21% do Real frente ao Dólar melhorou o custo C1 de finos de minério de ferro em US$ 1,7/t. No entanto, o custo C1 de finos de minério de ferro aumentou de US$ 16,2/t no 1T20 para US$ 17,1/t no 2T20 devido, principalmente, aos efeitos antecipados no relatório do 1T20, tais como o consumo de estoques com custos médios de produção mais altos do 1T20 (US$ 1,1/t), maiores volumes e preços de compra de terceiros (US$ 0,7/t), impacto do COVID-19 em função de benefícios adicionais para empregados e medidas de segurança operacional (US$ 0,3/t) e efeitos não recorrentes, tais como maiores custos de demurrage (US$ 0,5/t). Considerando o limite inferior do guidance de produção como o cenário mais provável e o atual nível do câmbio, espera-se que o custo C1 fique próximo a US$ 14,5/t no 2S20.

O frete marítimo unitário por tonelada métrica de fino de minério de ferro caiu US$ 3,6/t, totalizando US$ 13,5/t no 2T20, melhor do que o esperado de pelo menos US$ 3,0/t de redução, impulsionado principalmente pelos menores custos do bunker oil. Para o 3T20, o custo do frete pode subir devido à exposição sazonalmente maior aos preços spot do frete.

Metais Básicos

O EBITDA das operações de Níquel foi de R$ 1,3 bilhão no 2T20 , ficando R$ 211 milhões abaixo do R$ 1,5 bilhão do 1T20, principalmente devido a menores créditos de subprodutos PGMs, especialmente paládio e ródio, e maiores despesas de parada devido ao período de care and maintenance da mina de Voisey's Bay, que foram parcialmente compensados pelos efeitos positivos das posições de hedge de níquel que a Vale liquidou em março de 2020, pelo preço realizado do subproduto de cobre e variações cambiais favoráveis.

O negócio de Cobre registrou um EBITDA de R$ 1,7 bilhão no 2T20, ficando R$ 1,0 bilhão maior do que os R$ 712 milhões no 1T20 devido, principalmente: (a) aos maiores preços realizados, uma vez que os preços da LME tiveram uma tendência de alta no final do trimestre e faturas com preços provisórios liquidadas ou marcadas a mercado com preços mais altos, e (b) ao efeito favorável da desvalorização do real frente ao dólar nas receitas de Salobo e Sossego. O custo caixa unitário de Salobo após o crédito de subprodutos permaneceu negativo pelo segundo trimestre consecutivo.

Nos seis primeiros meses de 2020, o impacto da pandemia do COVID-19 nos custos e despesas da Vale foi de R$ 614 milhões, dos quais R$ 469 milhões em despesas com iniciativas para combater a pandemia, tais como doações de testes rápido e equipamentos de proteção individual aos governos federal e estaduais e apoio a hospitais e unidades de saúde locais, e R$ 145 milhões em função de benefícios adicionais para empregados e medidas de segurança operacional, que impactaram os custos.

Dividendos

Após a redução de incertezas relacionadas à pandemia, os riscos de uma segunda onda na China mitigados e a estabilização e declínio dos casos de COVID-19, especialmente nos estados do norte do Brasil (por exemplo, no Pará), a Vale avalia que o momento mais crítico foi ultrapassado e decidiu retomar a sua Política de Remuneração aos Acionistas, a qual requer que os dividendos mínimos calculados com base nos resultados do 1S20 sejam pagos em setembro. Além disso, a Companhia está tomando medidas para pagar parte de suas linhas de crédito rotativo num futuro próximo e, portanto, o Conselho de Administração da Vale decidiu pelo pagamento, em 7 de agosto de 2020, dos juros sobre o capital próprio de R$ 1,41 por ação aprovados em 19 de dezembro de 2019.

(Redação – Investimentos e Notícias)