Vale registrou um lucro líquido de US$ 739 mi no 4T20

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Vale registrou um lucro líquido de US$ 739 mi no 4T20 (Foto: Divulgação) Vale registrou um lucro líquido de US$ 739 mi no 4T20

O EBITDA Ajustado proforma da Vale atingiu US$ 9,103 bilhões no quarto trimestre de 2020 (4T20), ficando US$ 2,879 bilhões acima do 3T20, e totalizando US$ 15,327 bilhões no 2S20 e US$ 21,954 bilhões para o ano completo de 2020. O resultado trimestral foi impulsionado principalmente por:

Forte desempenho do negócio de Minerais Ferrosos, devido ao aumento de 17% de aumento dos preços realizados (US$ 1,598 bilhão) e 26% de aumento do volume de vendas (US$ 1,364 bilhão);

Maiores preços realizados de níquel (US$ 113 milhões) e cobre (US$ 57 milhões), devido ao aumento de 12% e 10% do preço médio de referência da LME no 3T20, respectivamente; e

Maiores créditos de subprodutos de níquel, principalmente devido a maiores volumes de cobre, ródio e paládio (US$ 97 milhões).

Esses efeitos foram parcialmente compensados por maiores custos e despesas com Minerais Ferrosos (US$ 152 milhões) devido, principalmente, a maiores custos de demurrage e maiores custos de compras de minério de terceiros impulsionados por maiores preços de referência.

O EBITDA Ajustado, após US$ 4,863 bilhões em despesas relacionadas às doações de Brumadinho e Covid-19 no 4T20, totalizou US$ 4,240 bilhões. O valor trimestral das despesas se deve, principalmente, ao impacto do Acordo Global para a reparação de Brumadinho de US$ 3,872 bilhões e provisões adicionais para descaracterização de barragens de US$ 617 milhões, conforme detalhado na seção EBITDA Ajustado deste relatório.

A Vale registrou um lucro líquido de US$ 739 milhões no 4T20, ficando US$ 2,169 bilhões abaixo do 3T20, devido, principalmente, às maiores despesas de Brumadinho, seguindo o Acordo Global para reparação de Brumadinho, e encargos com impairments de ativos, principalmente relacionado a ativos de Carvão e Níquel. Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo maior EBITDA ajustado proforma registrado no 4T20 e melhores resultados financeiros, seguindo o impacto positivo da menor taxa de câmbio do Real sobre os swaps cambiais e de juros, que foi parcialmente compensado por uma maior marcação a mercado das debêntures participativas.

O total de investimentos para o 4T20 totalizou US$ 1,444 bilhões, ficando US$ 549 milhões maior que o 3T20, explicado por um aumento de US$ 515 milhões em manutenção das operações e US$ 34 milhões em execução de projetos, à medida que a Vale avançava com investimentos em plantas de filtragem, projetos do Sistema Norte 240 e Gelado nos negócios de Minério de Ferro e projetos Salobo III e VBME nos negócios de Metais Básicos.

Em 2020, a Vale aprovou os projetos Serra Sul 120 e Capanema e em 2021 espera investir US$ 5,8 bilhões, um aumento de 31% em comparação a 2020, devido principalmente a (a) maiores gastos com investimentos em plantas de filtragem de rejeitos de minério de ferro; (b) investimentos em projetos de energia solar, como o Sol do Cerrado, que aumentará a participação da energia renovável na matriz da Vale e reduzirá o custo médio de energia; e (c) postergação do programa de investimentos de 2020 devido à pandemia do Covid-19.

A Vale gerou US$ 4,9 bilhões em Fluxo de Caixa Livre das Operações no 4T20, ficando US$ 1,1 bilhão maior que no 3T20 impulsionado por um EBITDA proforma (US$ 2,9 bilhões), mas impactado negativamente por investimentos sazonalmente maiores (US$ 549 milhões) e capital de giro (US$ 1.0 bilhão). O impacto no capital de giro, que resultou principalmente de um aumento nas contas a receber devido a maiores vendas CFR e aumento nos preços do minério de ferro, deve ser parcialmente revertido no 1T21, dado o recebimento das receitas em janeiro.

A Vale encerrou o ano com US$ 14,258 bilhões em caixa, mais do que a sua dívida bruta de US$ 13,360 bilhões, e portanto com uma posição líquida de caixa de US$ 898 milhões no 4T20. A dívida líquida expandida da Vale, que agora é composta principalmente por outras obrigações e compromissos relevantes da Vale, reduziu de 14,465 bilhões no 3T20 para US$ 9 13,334 bilhões, apesar dos US$ 3,740 bilhões em obrigações adicionais relacionadas ao Acordo Global de Brumadinho. Espera-se que a dívida líquida expandida continue com a tendência de queda para os US$ 10 bilhões de meta de longo prazo, uma vez que a Companhia continua a gerar caixa e a pagar suas obrigações com Refis, Brumadinho, Renova e Samarco.

A Vale prosseguiu com a otimização de seu portfólio de ativos com os processos recentes a seguir:

Fechamento das operações de ferro-ligas na fábrica de Simões Filho (BA);
Conclusão da venda de Biopalma (PA), uma empresa de óleo de palma;
Venda da participação minoritária da Vale na usina de pelotização Zhuhai e na mina de Carvão Henan Longyu por um total de US$ 169 milhões;
Transferência das ações da Potassio Rio Colorado para a Província de Mendoza, na Argentina;
Assinatura de um acordo vinculativo de opção de venda com a Prony Resources, um consórcio liderado pela atual administração e empregados de VNC com a Trafigura como acionista não controlador, para a venda da participação acionária da Vale na Vale
Nova Caledônia - VNC. O acordo é apoiado pelos governos da Caledônia e da França e foi aprovado pelo conselho de trabalhadores de VNC;

Assinatura do Heads of Agreement com a Mitsui para adquirir sua participação na mina de Moatize e o Corredor Logístico de Nacala, como um primeiro passo para o desinvestimento da Vale no negócio do Carvão.

A Vale também concluiu no 4T20 o acordo para a necessária alienação de 14,9% das ações da PT Vale Indonésia, recebendo US$ 278 milhões.

Desempenho por área de negócio no 4T20

O EBITDA de Minerais Ferrosos de US$ 8,800 bilhões no 4T20 foi US$ 2,944 bilhões maior do que no 3T20, alcançando seu segundo maior EBITDA Ajustado de todos os tempos.

As receitas líquidas de vendas de finos de minério de ferro, excluindo pelotas e run of mine (ROM), aumentaram para US$ 10,765 bilhões no 4T20 contra US$ 7,357 bilhões no 3T20, como resultado do aumento de 17% no preço realizado e de 26% no volume de vendas.

O preço CFR/FOB realizado da Vale totalizou US$ 130,7/t, um aumento de US$ 18,6/t em relação ao 3T20, principalmente devido ao preço de referência mais elevado do 62% Fe e ao efeito positivo dos mecanismos de preços, já que o preço provisório foi marcado, no final do trimestre, a um nível superior ao preço médio do trimestre. Os efeitos positivos foram parcialmente compensados por prêmios menores, como resultado de preços de referência elevados e um mix de vendas com mais produtos de média qualidade.

As vendas para a China atingiram um nível recorde no 4T20, totalizando 63,9 Mt, refletindo o robusto ambiente de demanda após a recuperação dos impactos da Covid19.

O índice MB65% atingiu média de US$ 145,9/dmt no 4T20, ficando 13% acima do 3T20. O spread entre o MB65% e o preço de referência do minério de ferro de 62% se recuperou ao longo do trimestre, fechando o ano em torno de US$ 13/t. Os altos preços do carvão na China, seguindo a restrição de importação do país sobre a Austrália, juntamente com os altos níveis de margens de aço e a diminuição dos estoques de pelotas de minério de ferro e de concentrado nos portos chineses, suportaram o nível dos prêmios por alta qualidade. Embora a margem de aço tenha se deteriorado desde o início de 2021, o spread aumentou, atingindo uma média de US$ 22/t como resultado da alta do preço do coque e da escassez da oferta de finos de alta qualidade.

Os custos do EBITDA breakeven de finos de minério de ferro e pelotas totalizaram US$ 36,3/t, ficando US$ 0,2/t acima do 3T20, como resultado de (a) menores prêmios; (b) maior custo de caixa C1, principalmente devido ao maior custo de demurrage e aos preços mais altos em compras de minério de terceiros, impulsionados por preços de referência mais altos; e (c) maiores custos de distribuição, que foram parcialmente compensados por (a) menores custos de frete; e (b) dividendos sazonais recebidos.

O EBITDA ajustado do negócio de Metais Básicos foi de US$ 1,138 bilhões no 4T20, ficando US$ 368 milhões acima do 3T20.

O 4T20 foi marcado pela retomada bem-sucedida de produção após obras de manutenção reprogramadas do 1S20 para o 3T20 nas operações de Metais Básicos. A produção de níquel aumentou 19% semestre a semestre, enquanto as vendas cresceram 14% no trimestre; a produção de cobre aumentou 7% trimestre a trimestre e as vendas aumentaram 15%;

O maior EBITDA no 4T20 foi devido, principalmente, a: (a) maiores preços realizados de níquel e cobre, seguindo 12% e 10% acima do preço médio de referência da LME, respectivamente; (b) maiores créditos dos subprodutos do níquel, principalmente devido aos maiores volumes de cobre, ródio e paládio; (c) menores custos em Ontário e Onça Puma devido ao sucesso da manutenção realizada durante o 3T20; e (d) maiores volume de vendas de níquel, uma vez que uma maior produção permitiu que a Vale aproveitasse o melhor cenário de preços.

Onça Puma atingiu R$ 50 milhões de EBITDA no 4T20, que foi o primeiro trimestre completo após extensos trabalhos de manutenção do forno, estabelecendo o ritmo para a operação a partir deste ponto;

Salobo teve um desempenho sólido alcançando consecutivos custos de caixa unitários negativos após subprodutos de -US$ 808/t no trimestre, enquanto Sossego permaneceu a um custo de caixa unitário inferior a US$ 2.000/t no mesmo período;

Em VNC, as operações foram interrompidas desde o dia 10 de dezembro de 2020, pois os violentos protestos dos grupos de ativistas independentistas próximos ao site tornaram inseguro o acesso de nossos trabalhadores ao site. A Vale continua buscando um diálogo aberto com todas as partes e acredita em uma solução para a venda de sua participação na VNC, que foi aprovada pelo conselho de trabalhadores da VNC e tem o apoio dos governos da Caledônia e da França. Se a alternativa de venda não for bem-sucedida, a produção permanecerá paralisada e iniciaremos o processo de Care & Maintenance.

O negócio de Metais Básicos passou por uma ampla revisão focada em segurança dos processos operacionais, resultando em uma profunda reavaliação dos padrões, procedimentos, treinamento e supervisão das atividades de manutenção. Essas medidas adicionais impactarão a disponibilidade de equipamentos de mineração, com maior impacto na operação de Salobo, e possivelmente reduzirão nossa estimativa original de produção de cobre em 10kt, com um plano de recuperação em curso no 1T21 para mitigar este impacto.

Desta forma, a Vale estabeleceu um guidance de produção de cobre entre 360-380kt em 2021, com o efeito sobre a operação de Salobo refletido no limite superior da faixa e a diferença adicional de 20kt para o piso da faixa representando os riscos relacionados às nossas operações de cobre, incluindo a duração das manutenções programadas e potenciais atrasos na conclusão de projetos.

O negócio de carvão retomou seu plano de manutenção em novembro de 2020, com a primeira fase do projeto ocorrendo conforme planejado. A Vale espera retomar o ramp-up no 1S21, atingindo o ritmo de produção de 15Mtpa no 2S21 e 18Mtpa em 2022.

(Redação – Investimentos e Notícias)