Crédito ampliado alcançou R$ 11,1 tri em junho

  •  
Crédito ampliado alcançou R$ 11,1 tri em junho (Foto: Pexels) Crédito ampliado alcançou R$ 11,1 tri em junho

Em junho, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$11,1 trilhões (153,8% do PIB), aumentando 1,8% no mês, segundo dados do Banco Central (BC). A variação mensal refletiu os crescimentos de 2,3% nos títulos de dívida, em especial nos títulos públicos; de 2,2% na dívida externa (parcialmente influenciada pela depreciação cambial de 0,9%); e de 0,9% nos empréstimos e financiamentos. Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 14,5%, resultado dos aumentos na dívida externa, títulos de dívida e empréstimos e financiamentos, respectivamente, 27%, 12,2% e 9,8%.

O crédito ampliado a empresas e famílias alcançou R$6,3 trilhões (88% do PIB), aumentos de 0,8% no mês e de 16,8% em doze meses. Os destaques no mês foram as elevações nos saldos dos empréstimos e financiamentos, 0,9%, e das captações da dívida externa, notadamente em empréstimos, 1,4%. O saldo dos instrumentos do mercado de capitais doméstico (títulos privados e securitizados) registraram retração de 0,6%. Nos últimos doze meses, o crescimento do crédito ampliado a empresas e famílias distribuiu-se por esses componentes: dívida externa, 38,9%, estimulada pela desvalorização cambial; títulos de dívida, 10,2%; e empréstimos e financiamentos, 9,6%.

Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O saldo das operações de crédito do SFN totalizou R$3,6 trilhões em junho, aumento de 0,8% no mês, com acréscimos de 1% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$1,6 trilhão) e de 0,7% em pessoas físicas (R$2 trilhões). Em doze meses, o crescimento da carteira total acelerou de 9,2% para 9,8%, estimulada pelas operações com empresas, que aumentaram 11,5%, superando a expansão com pessoas físicas, 8,5%.

O crédito livre para pessoas jurídicas alcançou R$1 trilhão, crescendo 0,6% no mês e 22,4% em doze meses, destacando-se capital de giro (notadamente as operações com prazo acima de um ano), repasses externos e modalidades sazonais relacionadas a fluxo de caixa (desconto de duplicatas e recebíveis e antecipação de faturas de cartão). O saldo do crédito livre a pessoas físicas totalizou R$1,1 trilhão, elevações de 0,6% no mês e de 8,9% em doze meses, sobressaindo cartão de crédito à vista e consignado. Os financiamentos de veículos, embora com saldo praticamente estável, apresentaram crescimento expressivo nas concessões do mês, 44,8%.

No crédito direcionado, a carteira de pessoas jurídicas alcançou R$575 bilhões em junho, elevação de 1,7% no mês, mantendo contração interanual, -3,6%. No mês, destaque para elevação de outros créditos direcionados, 6,8%, devido às operações do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), instituído pela Lei nº 13.999, de 18 de maio de 2020. O saldo com pessoas físicas alcançou R$935 bilhões, expansões de 0,8% no mês e de 8,1% em doze meses, sobressaindo-se a carteira imobiliária, com aumento de 25,1% nas contratações em junho.

As concessões totais de crédito somaram R$322 bilhões em junho. Na série com ajuste sazonal, houve elevação mensal de 2,5%, com variações de 10,4% a famílias e de -2,4% para empresas. No primeiro semestre, comparado ao mesmo período de 2019, as concessões totais cresceram 6,4%, refletindo a elevação em pessoas jurídicas, 14,8%, e a contração em pessoas físicas, -0,7%. 

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, situou-se em 18,7% a.a. em junho, declínios de 0,5 p.p. no mês e de 2,6 p.p. na comparação interanual. No crédito livre não rotativo, ocorreram reduções mais significativas: -0,7 p.p. e -4,8 p.p., nas mesmas bases de comparação, alcançando 24,1%. O spread geral do ICC alcançou 13,3 p.p., quedas de 0,4 p.p. e de 1,4 p.p., nos mesmos períodos. 

A taxa média de juros das operações contratadas em junho alcançou 19,3% a.a., com quedas de 1,2 p.p. no mês e de 5,5 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas de juros das concessões situou-se em 15,6 p.p., com declínios de 0,9 p.p. e de 3,5 p.p., nos mesmos períodos.

No crédito livre, a taxa média de juros das concessões atingiu 27,9% a.a., reduzindo-se 1,7 p.p. no mês e 9,7 p.p. na comparação interanual. Para as famílias, a taxa média de juros situou-se em 40,7% a.a., declínio de 2,2 p.p. no mês, destacando-se cartão de crédito parcelado (-19,7 p.p.), cartão rotativo regular (-6,9 p.p.) e cheque especial (-5,9 p.p.). No crédito livre às empresas, a taxa média de juros diminuiu 1,2 p.p. em junho, para 13% a.a., com reduções em diversas modalidades. Excluindo-se as operações rotativas, a taxa média de juros do crédito livre diminuiu 1,1 p.p. no mês e 7,9 p.p. em doze meses, atingindo 20,8%.

Agregados monetários

A base monetária alcançou R$381,7 bilhões em junho, aumentos de 3,7% no mês e de 38,3% em doze meses. No mês, o papel-moeda emitido cresceu 6,3%, enquanto as reservas bancárias reduziram-se 11,9%. Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, apresentaram impactos expansionistas as operações do Tesouro Nacional, R$185,3 bilhões; as operações da Linha Temporária Especial de Liquidez com Letras Financeiras Garantidas, R$8,1 bilhões, as operações com derivativos, R$4,9 bilhões, e as operações do setor externo, R$1,3 bilhões, reflexo principalmente das atuações de venda à vista de moeda estrangeira (-R$5,6 bilhões) e de recompra a termo (R$6,7 bilhões). No fluxo contracionista, destacaram-se: i) operações com títulos públicos federais, R$170,6 bilhões (resultado de colocações líquidas de R$98,2 bilhões no mercado primário e de vendas líquidas de R$72,5 bilhões no mercado secundário); e ii) os depósitos de instituições financeiras, R$14,5 bilhões (recolhimentos de recursos de depósitos a prazo, R$8,7 bilhões, e de poupança, R$6,2 bilhões).

Os meios de pagamento restritos (M1) alcançaram R$521 bilhões em junho, aumento de 5,8%, resultante dos acréscimos de 5,2% no papel-moeda em poder do público e de 6,4% no saldo de depósitos à vista. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 avançou 5,2% no mês.

O M2 cresceu 2,6% no mês, totalizando R$3,6 trilhões, refletindo, além do crescimento no saldo do M1, os aumentos de 2,0% no estoque dos depósitos de poupança e de 3,8% no saldo de depósitos a prazo. No mês, foram registradas captações líquidas de R$20,5 bilhões na poupança e de R$48,8 bilhões nos depósitos a prazo. O M3 atingiu R$7,4 trilhões em junho (+2,7% mês), ocorrendo aumento de 3% no saldo das quotas de fundos do mercado monetário (R$3,6 trilhões), seu principal componente. O M4 registrou aumento de 3,3% no mês e de 14,3% no ano, totalizando R$7,9 trilhões, com elevação de 13% no saldo de títulos públicos federais adquiridos em operações definitivas.

(Redação – Investimentos e Notícias)