Para BNP Paribas, economia brasileira deve dar sinais de recuperação a partir do 2º semestre

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Para BNP Paribas, economia brasileira deve dar sinais de recuperação a partir do 2º semestre Foto: Divulgação Para BNP Paribas, economia brasileira deve dar sinais de recuperação a partir do 2º semestre

A economia global deve voltar a crescer a partir do segundo semestre do ano, mas o ritmo de recuperação será diferente entre os países em desenvolvimentos e os emergentes, como o Brasil. De acordo com o economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, Gustavo Arruda, os Estados Unidos e a zona do Euro devem apresentar crescimento mais forte este e no próximo ano, enquanto a América Latina e o Brasil devem começar a dar sinais de recuperação nos últimos seis meses do ano.

Para o economista, EUA e zona do euro devem crescer 6,9% e 4,2% este ano e, em 2022, 4,7% e 5%. Já no Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) deve subir 2,5% e 3%, respectivamente. Para o primeiro e segundo trimestre do ano, as expectativas de expansão doméstica são de 0,5% e 1%, o que se caracteriza uma recessão técnica. “Os dois primeiros trimestres do ano estão sendo afetados pelas restrições de mobilidade. Não acredito que isso terá impacto duradouro até o final do ano”, estimou.

De acordo com ele, a demora da recuperação brasileira reflete o maior impacto da crise do Covid-19 nos negócios. “A segunda onda da pandemia está se mostrando pior do que o cenário projetado em dezembro. A curva de vacinação está atrasada em relação ao que projetamos lá trás, mas acreditamos que deve ganhar tração a partir do segundo semestre”, explicou durante coletiva de imprensa, acrescentando que toda a população deve ser vacinada até o final do primeiro trimestre de 2022.

Para Arruda, a falta de insumos da vacina que está sendo verificada agora não deve ocorrer no segundo semestre do ano porque, além do governo brasileiro estar adquirindo vacina de outras fabricantes, países desenvolvidos como Estados Unidos e Reino Unido já devem ter terminado de imunizar a sua população, o que significará mais vacinas disponíveis.

Para a inflação, a expectativa do BNP Paribas é de 6,5% no final do ano, acima do teto da meta. No segundo e no terceiro trimestre a estimativa é de alta de 7,4% e 7,5%. Assim como outros países emergentes, as commodities devem continuar fazendo pressão nos preços dos alimentos. Para 2022, o IPCA deve situar-se 4%.

Arruda lembrou ainda que, enquanto o Banco Central brasileiro adota o sistema de meta inflação e olha para os próximos doze meses, os EUA usam uma média dos indicadores. “O Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) se mantém calmo e está aceitando o risco de mais inflação. O Fed mudou a perspectiva de meta de inflação e, por isso, está mais disposto a aceitar uma inflação mais alta por algum tempo”.

Quanto ao câmbio, o economista disse que a taxa continuará vulnerável, reagindo às preocupações com a questão fiscal e os impasses políticos. “Câmbio bastante desvalorizado, tem espaço para valorização, mas não acreditamos no curto prazo. Câmbio deve chegar ao final do ano em R$ 5”, estimou. Para a taxa Selic, a estimativa é atingir 5% este ano e 6,5% em 2022.

(Redação - Investimentos e Notícias)