Varejo decepciona em junho, diz ACSP

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Vendas Foto: Divulgação Vendas

As vendas no varejo da capital paulista registraram em junho quedas médias de 12,9% ante maio e de 0,75% em relação a junho do ano passado. Esta é a conclusão do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). No acumulado do 1º semestre, houve aumento médio de 2,35%.

"As vendas decepcionaram em junho. E, no semestre, o crescimento foi modesto, descontadas todas as volatilidades que marcaram o período, decorrentes dos feriados e datas-móveis", diz Rogério Amato, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de SP) e presidente-interino da CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil). Separadamente, as vendas a prazo e à vista aumentaram 2,4% e 2,3% no semestre, respectivamente. "O resultado reflete os meses de altos e baixos para o comércio, o aumento dos juros para combater a inflação, a confiança do consumidor em patamar baixo e a menor segurança no emprego", diz Amato.

Comparação com maio de 2014

O IMC mostrou que as vendas a crédito caíram 7,8%, explicado pelo efeito-calendário: junho teve dois dias úteis a menos do que maio. Com ajuste pela média diária, o crescimento ficaria perto de zero. "Ou seja, de maio para junho, o consumidor não se animou para comprar televisores para a Copa. As vendas ficaram abaixo das expectativas do comércio e o ritmo foi o mesmo de maio", diz Rogério Amato.

Já as vendas à vista despencaram 18% ante maio, com dois dias úteis a menos. Feito o ajuste pela média diária, houve forte queda de 11%, explicada por alguns fatores:

1-efeito sazonal - em maio, o Dia das Mães puxou as vendas à vista, de presentes de uso pessoal

2-temperatura - a ausência de temperaturas baixas em junho desestimulou a vendas de roupas da Moda Outono-Inverno, que inclusive já está em liquidação

3- Dia dos Namorados - vendas para a data também decepcionaram, prejudicadas pela abertura da Copa

4-os consumidores não se animaram para adquirir produtos para a Copa, como roupas e adereços, o que pode se reverter caso o Brasil chegue às finais

5-antecipação das férias escolares, reduzindo o fluxo de consumidores na capital

O Balanço de Vendas é elaborado pelo Instituto de Economia da ACSP. Os dados têm como base amostra fornecida pela Boa Vista Serviços.

Comparação inter-anual

Analisando-se separadamente, as vendas a prazo, medidas pelo Indicador de Movimento do Comércio a Prazo (IMC), aumentaram 1,4%, com um dia útil a menos. Com ajuste pela média diária, registra-se crescimento de 5,7%. O que garantiu que as vendas não fechassem no vermelho foi a comercialização de smartphones e TVs para a Copa do Mundo.

"É importante ressaltar, para efeito de comparação, que em 2010 as vendas a crédito tiveram melhor desempenho no mês da Copa, com salto de 10% ante o ano anterior", comenta Rogério Amato.

Com um dia útil a menos, em junho deste ano as vendas à vista caíram 2,9% ante 2013, segundo o ICH (Indicador de Movimento de Cheques). Com ajuste feito pela média diária, o saldo fica positivo: as vendas teriam crescido a um ritmo médio moderado de 1,2%, puxado pelos setores de farmácia/perfumaria e de supermercados (com destaque para refrigerantes, cervejas e salgadinhos para a Copa). "Essas pequenas compras ajudaram um pouco", diz o presidente da ACSP.

Inadimplência

O IRI (Indicador de Registro de Inadimplentes), que mede a entrada de registro de consumidores inadimplentes, registrou forte alta de 18,2% ante maio. O resultado pode ter captado endividamentos de compras de eletrodomésticos para o Dia das Mães ou, então, atrasos no pagamento de despesas, comprometido pelo orçamento do consumidor, que está mais apertado pela pressão inflacionária. Ou seja, daqui em diante, o varejo e o consumidor precisam ficar mais atentos, pois a inadimplência, apesar de ainda estar em patamar baixo, pode alcançar números mais preocupantes.

Já em relação a junho de 2013 e no acumulado de seis meses, o IRI mostrou aumentos moderados, de 3,1% e de 1,4%, respectivamente.

Por fim, o IRC (Indicador de Recuperação de Crédito), que aponta os cancelamentos de dívidas, apontou forte queda de 12,3% ante maio, mostrando que o consumidor não dispõe de recursos para quitar ou renegociar débitos.

Em comparação com junho do ano passado, houve aumento de 1,9%, mostrando propensão a alta. E no acumulado semestral, o avanço de 2% no IRC sugere inadimplência em queda.

(Redação - Agência IN)